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Mulher, que diz ser vítima de assédio sexual cometido por médico, afirma que ‘fizeram piada’ sobre o abuso

Saiu no site A VOZ DA CIDADE

Veja publicação original:  Mulher, que diz ser vítima de assédio sexual cometido por médico, afirma que ‘fizeram piada’ sobre o abuso

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Já são 29 casos envolvendo cardiologista, em Presidente Prudente. Dona de casa conta ao G1 que pessoas chegaram a dizer que ela ‘teria gostado’ de ter sido abusada.

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Por João Alberto Pedrini

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Uma das três mulheres que registraram Boletim de Ocorrência na manhã desta quinta-feira (17) na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em Presidente Prudente, relatando terem sido abusadas sexualmente pelo médico cardiologista Augusto César Barretto Filho, de 74 anos, disse ao G1 que amigos e conhecidos fizeram piada quando souberam do caso dela.

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“A gente vê que o machismo está em todo lugar. Até em casos como este. Quando, na época, eu disse que havia sido abusada pelo médico, disseram que eu teria gostado. Quando afirmei que viria até a delegacia denunciar, hoje, falaram: ‘Se ficou tanto tempo sem denunciar, é porque gostou’”, afirmou Simoni Aparecida de Oliveira, de 32 anos, que mora em Tarabai.

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Ela disse ter sido abusada pelo profissional no consultório médico dele em 2014.

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O médico de Presidente Prudente é acusado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de ter abusado sexualmente de mulheres desde 2008. Na segunda-feira (14), o Ministério Público Estadual (MPE) apresentou à Justiça denúncia criminal contra o cardiologista e pediu a decretação de sua prisão preventiva. A Justiça ainda não decidiu sobre a questão.

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Simoni disse ao G1 que a consulta foi realizada em março de 2014, através de um convênio médico.

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“Fui com meu ex-marido [hoje, ela é divorciada]. Ele [o médico] me mandou deitar na maca. Ao aferir a pressão, o médico encostava em mim de uma forma diferente. Apertou meus seios. Não era um atendimento normal. Ele encostou meu braço no órgão genital dele”, afirmou Simoni ao G1.

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Ela falou que não teve reação na hora.

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“Quando cheguei em casa, falei o que aconteceu para o meu esposo, que queria voltar e tirar satisfação, mas pedi para não irmos. Era a minha palavra contra a dele, um médico influente na cidade. Não sei se acreditariam em mim. Até fizeram piadas”, afirmou.

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29 casos

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Na manhã desta quinta-feira (17), além de Simoni, outras duas mulheres, de 57 e 64 anos, registraram boletins de ocorrência na DDM para denunciar o médico.

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A mulher de 57 anos diz ter sido abusada em 2011. A de 64 anos afirmou que o caso ocorreu em 2008.

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No total, 29 mulheres relataram terem sofrido abuso.

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Além destes três registros, a DDM recebeu ainda mais 12 ligações de mulheres pedindo orientação sobre como denunciar o médico. Três delas se identificaram e forneceram telefones à polícia, que pode ouvi-las, mesmo se não houver um registro de Boletim de Ocorrência.

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A DDM orienta que as mulheres devem ir até a sede da delegacia, na Rua José Dias Cintra, 149, no Centro de Presidente Prudente, para registrar o BO e prestar depoimento.

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Outro lado

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O advogado Emerson Longhi, que atua na defesa do médico Augusto César Barretto Filho, afirmou ao G1 nesta quinta-feira (17) que o profissional “se desligou faz tempo” do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Porém, não precisou a data.

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Longhi confirmou que Barretto Filho “não está trabalhando mais, há vários meses”.

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O cadastro dele no site do órgão continua ativo.

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Em nota oficial, o Cremesp informou que o pedido de cancelamento de registro profissional, apresentado pelo médico, foi indeferido, uma vez que ele responde a uma sindicância.

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“Tal cancelamento tornaria nulas as consequentes medidas punitivas”, esclareceu o conselho.

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O conselheiro regional do Cremesp na região de Presidente Prudente, Henrique Liberato Salvador, afirmou ao G1 na quarta-feira (16) que uma investigação foi aberta para averiguar o caso. A apuração está a cargo da Câmara Técnica de Assédio Sexual, criada para investigar esses tipos de casos.

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Em nota oficial, o Cremesp apontou que as novas denúncias contra o cardiologista serão juntadas à investigação em curso.

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